Outros aspetos da cultura cigana



O povo cigano tem geralmente a pele mais escura, as mulheres têm o cabelo comprido e usam saias compridas e os homens deixam crescer a barba.
Quando estes estão de luto, as mulheres ciganas vestem roupa preta, usam um lenço preto na cabeça e “carregam” o luto para toda a vida, os homens privam-se de festas, de ouvir música, de ver televisão e o tempo de luto depende do grau de parentesco.
A família tem um papel fundamental ao nível da organização e estruturação da comunidade cigana. Os mais velhos têm uma função de conselheiros, a mulher encarrega-se pela educação dos filhos e das filhas até ao casamento e é responsável também pela transmissão dos valores éticos e culturais, as irmãs mas velhas raramente frequentam a escola para tomar conta dos irmãos mais novos e ajudar a mãe nas tarefas domésticas, a autoridade pertence ao homem, dedicam-se ao trabalho e os rapazes ficam mais tempo na escola.
 A comunidade cigana tem um dialecto que é o Romanon, mas que está em desuso pois só os mais velhos sabem falar nessa língua.
É importante de salientar também que desde há muito tempo que a população portuguesa cria um estereótipo sobre a comunidade cigana, pois é frequente ouvirmos dizer que os ciganos soa de má fé, destroem tudo, roubam e assaltam, embora não seja totalmente verdade, porque não são só os ciganos que fazem todas estas coisas negativas, há muitos outros portugueses que também o fazem. (Comunicação social)
Em relação ao casamento, as raparigas casam muito novas, por volta dos 13 anos, quando nascem já têm um marido destinado, apesar destas ainda poderem dizer que não, já os rapazes não têm qualquer direito sobre este assunto, o casamento dura cerca de 3 a 4 dias e depois do casamento, a mulher já não pode frequentar a escola, embora os homens possam.

Origem do povo cigano

Embora não haja certezas, pensa-se que a etnia cigana veio do nordeste da Índia ou do Egipto;
Estes povos saíram da sua terra de origem a partir do séc. III devido à fome, às guerras e à necessidade de procurar melhores condições de vida;
Durante vários séculos estabeleceram-se no Irão que foram muito apreciados pelos reis pelas suas danças;
O povo cigano entrou em território português na segunda metade do séc. XV
Em 1526, no tempo de D. João III, apareceram as primeiras queixas contra este povo, assim foi formulada uma lei recusando a entrada deste povo e a expulsão dos que já se encontravam no território português;
Em 1573 foi estabelecido um prazo de 30 dias para a saída do povo cigano;
Em 1592, houve um agravamento da situação, apesar do prazo aumentar para 4 meses, aqueles que não obedecessem a esse prazo podiam ser condenados à morte;
Só no ano de 1822 é que o Estado Português reconheceu-os como cidadãos portugueses, pois até à data, estes eram considerados um povo apátrida, ou seja um povo sem nação;
Mas até ao 25 de Abril de 1974, existia também uma lei que impedia a comunidade cigana, a permanência no mesmo local por um período superior a 24 horas.

A Bandeira







A Bandeira como está foi instituída como símbolo internacional de todos os ciganos do mundo no ano de 1971, pela International Gypsy Committee Organized, no First World Romani Congress( primeiro congresso mundial cigano), realizado em Londres.

SIGNIFICADO:

Roda vermelha:
Simboliza a vida, representa o caminho a percorrer e o já percorrido, a tradição como continuísmo eterno, se sobrepõe ao azul e ao verde com seus aros representando a força do fogo, da transformação e movimento;

Azul:
Representa os valores espirituais, a paz, a ligação do consciente com os mundos superiores, significando a libertação e a liberdade;

Verde:
Representa a mãe natureza, a terra, o mundo orgânico (subterrâneo), a força e a luz do crescimento vinculado com as matas, com os caminhos desbravados e abertos pelos ciganos. Representa o sentimento de gratidão e respeito pela terra, o que ela nos oferece, de preservação pela natureza. Simboliza também a relação de respeito por tudo que ela nos oferece proporcionando a sobrevivência do homem e a obrigação de ser respeitada pelo homem que dela retira seus suprimentos, devendo mante-la defesa.

Lenda da Origem dos Ciganos

Num país onde o Sol aparecia por detrás de uma obscura montanha, havia uma cidade enorme e fantástica, cheia de cavalos.
Há muitos séculos atrás, todos os povos da Terra viajavam para esta tal cidade, a cavalo ou a pé, porque todos lá eram sempre muito bem recebidos.
Entre aqueles viajantes, encontravam-se algumas das nossas tribos ciganas que foram muito bem acolhidas pelo soberano da cidade, que ficou admirado de ver cavalos tão bem cuidados e propôs aos ciganos que ficassem em suas terras.
Nossos mulós (mortos, ou o espírito morto) aceitaram a proposta e colocaram as suas tendas naqueles campos férteis.
Aí viveram durante muito tempo olhando agradecidos a tenda azul dos céus.
Mas o ananke (destino) ou os espíritos do mal não aceitava a felicidade do povo cigano e num triste dia chegaram os jutsi(soldado cavaleiro), que atearam yéqui (fogo) às tendas e, além de matar os homens, levaram as mulheres e as churumbeles (crianças) como escravas.
Sem dúvida, muitos ciganos escaparam da matança, mas desde essa época, não se atrevem a permanecer muito tempo no mesmo lugar.

Nota: Segundo o autor desta lenda, António Martinez, cigano Andaluz e advogado, as pesquisas linguística e os antropólogos defendem que “esse país” a que a lenda se refere parece ser a misteriosa Índia.

(p.27)
Projeto Nómada / ICE (2004). Ciganos Aquém do Tejo